Golpes um assunto velho, mas sempre tem um "Trouxa"
novo!
Caloteiros, espertalhões e
vivaldinos, ou simplesmente estelionatários, são alguns dos nomes usados para
identificar gente que costuma viver da desgraça dos outros. Eles sempre
existiram, mas número de golpistas tem multiplicando-se e os golpes ganham novas
versões, incluindo a tecnologia moderna, como telefone, Internet e sistema
eletrônicos dos bancos.
O Código Penal, em seu artigo 171, define vários tipos de estelionato e fraude.
Os golpes são tantos que o artigo da lei, o 171, virou gíria para descrevê-los.
Em Carlos Barbosa, muitas pessoas já sentiram na pele ou melhor, no bolso, o
quanto machuca ser vítima de um “171”. Teve até quem se valeu de relações de
amizade para atrair suas vítimas
Recentemente, uma viúva embarcou com R$ 1.660,00, atraída pela promessa de que
seu marido havia deixado um seguro de quase 60.000 reais.
Cuidado, a próxima vítima pode ser você. Confira nesta matéria como são
aplicados os golpes mais comuns, o que pode ser útil para evitar de cair no
“171”, ou no popular conto-do-vigário.
Viúva caiu no conto do seguro
com R$ 1.660,00
Apesar de ser
bastante conhecido, o golpe do seguro fez uma vítima na cidade. Com idade de
52 anos e vivendo com a pensão de 500 reais deixada pelo marido falecido há
quatro anos, a viúva não desconfiou de nada e só percebeu que havia caído num
golpe depois de ter feito o depósito bancário de R$ 1.660,00 na conta do
golpista.
Por uma questão de ética, o contexto não revela o nome da vítima, que
concordou em contar como foi aplicado o golpe que a lesou. Ela recebeu o
telefonema na manhã da segunda-feira, 21 de janeiro, e horas depois já havia
feito o depósito.
Ela narra como foi: “Atendi o telefone pela manhã, uma voz de homem, bem
simpática, disse que meu marido havia feito um seguro, mas que não havia sido
mais pago. Ele disse que era de Brasília e que só agora descobriram que meu
marido tinha morrido e que, se eu pagasse os 1.660 reais que faltavam para
completar o plano, receberia o seguro de 55.000 reais. Se eu pagasse receberia
tudo senão eles me devolveriam os quatro mil e pouco que ele já tinha pago”.
A viúva, que guardava os trocados para um dia construir uma casa nova para
substituir a pequena casa de madeira onde mora, não desconfiou porque um dia
seu marido havia feito o seguro de um veículo. “Uma vez meu marido tinha feito
um seguro da moto que ele tinha, eu pensei que podia ser este seguro que o
homem falava. Ele sabia todos os dados de meu marido, o número da identidade,
do CPF e o endereço do meu marido, e até onde ele tinha trabalhado eles
sabiam, por isso eu achei que era verdade, como é que um golpista tem todos
estes dados?”, questionou.
Movida pela possibilidade de obter os 55.000 reais que a simpática voz
prometia, ela efetuou o depósito na mesma manhã. “Eu fui no Banco do Brasil e
fiz o depósito ainda de manhã, na conta que ele deu. Na tarde do mesmo dia ele
ligou de novo. Desta vez, disse que o plano tinha aumentado e que eu receberia
mais de 60.000 reais, mas precisava fazer mais um depósito de quatro mil e
poucos reais”.
Só então a senhora sentiu que havia entrado num golpe, mas ainda assim foi um
filho seu que evitou que ela fizesse o novo depósito. “Eu pensei que podia ser
verdade, mas meu filho disse para não fazer mais depósito nenhum, só então que
a gente percebeu que tinha caído num golpe. Fui no banco mas não adiantou
mais, e disseram que a conta era de Recife”.
A viúva, que estudou só até a quarta séria primária, fez o depósito na conta
11017-5 da agência 3474-6, em nome de Paulo Rafael A. Ribeiro. Já conformada
em ter perdido seu precioso dinheirinho, a vítima teme que outras pessoas
caiam no golpe: “Muitas pessoas receberam telefonema igual. Tem uma vizinha
que eles telefonam toda hora, eles sabem que ela tem tanto dinheiro na conta e
que é para ela fazer um seguro da casa”.
Segundo informações obtidas junto à gerência do Banco do Brasil, a conta que
recebeu o depósito da viúva é de Fortaleza (CE), e não era uma conta corrente,
mas sim uma poupança. O saque foi efetuado no mesmo dia.
O gerente do Banco do Brasil, Renato Bresolin, disse que uma consulta antes de
fazer o depósito poderia ter evitado a consumação do golpe: “Se a senhora
tivesse pedido orientação antes de fazer o depósito, a gente verificaria o
motivo de tal depósito, o que teria permitido constatar que se tratava de um
golpe, já que uma seguradora não utilizaria uma conta poupança. Ela só falou
com a gente no dia seguinte, quando pretendia fazer mais um depósito, e logo
notamos que era um golpe. Teve uma outra senhora que estava caindo no mesmo
golpe, mas falou com a gente antes de efetuar o depósito e evitamos o prejuízo
para ela”.
Bresolin lembrou que este tipo de golpe é bem arquitetado e que o golpista é
um cara talhado para isso: “O estelionatário é um cara normalmente bem
educado, simpático e passa segurança à vítima, sempre procurando despertar a
ambição e a ganância das vítimas. Normalmente eles deixam o telefone para
contato e, quando a vítima, já caindo no golpe, retorna a ligação é um
secretário que atende e pede para aguardar que passará a ligação para o doutor
tal”.
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