NATAL 2003: Palestino
recém-nascido atrai milhares em Belém
A cidade de Belém, na Cisjordânia, considerada
pelos cristãos como local de nascimento de Jesus, está atraindo a atenção de
milhares de pessoas por causa de um recém-nascido.
Os palestinos que vivem na cidade estão fazendo fila no campo de refugiados de
Aida, próximo dali, para dar uma olhada em um menino de 11 dias que, segundo
eles, é um "milagre".
O menino tem um sinal de nascença no rosto que lembra a palavra árabe Ala, o
mesmo nome de um tio dele que militava no grupo Hamas e foi morto por soldados
israelenses quando supostamente teria tramado um atentado suicida.
A família, de muçulmanos devotos, considera que a marca de nascença é uma
mensagem divina de apoio à causa palestina. Já os católicos da cidade, em
preparativos para o Natal, afirmam discretamente que o fato não tem qualquer
importância religiosa.
O Exército israelense não quis comentar a notícia, mas uma fonte de segurança
disse: "Parece bem doido". A família negou que a história seja boato.
Essa fonte israelense disse que o tio do bebê, morto há oito meses, era suspeito
de planejar um atentado que matou 12 pessoas em novembro de 2002, dentro de um
ônibus em Israel.
Embalando o bebê em seus braços, a avó dele, Aysha Ayyad, 58, disse que seu
filho Ala se filiou secretamente ao Hamas logo depois de ser agredido por
soldados israelenses. Segundo ela, o sinal de nascença na criança mostra que "os
soldados podem matar nossos filhos, mas não nosso espírito". Ela disse esperar
que palestinos e israelenses façam as pazes, permitindo que seu neto cresça
livre da violência.
Enquanto ela falava, uma patrulha israelense lançava gás lacrimogêneo contra
jovens que atiravam pedras nos arredores.
Apesar da comoção, o imã da principal mesquita do campo de refugiados entrou na
sala da família, repleta de gente, passou o dedo sobre a marca -- que termina
atrás da orelha direita do bebê -- e anunciou que se tratava de "um presente de
Deus".
A notícia se espalhou principalmente no boca-a-boca mas, na segunda-feira, foi
publicada no jornal Jerusalem Post. O bebê, que tem o mesmo nome do tio morto,
nasceu no 27o. dia do mês sagrado do Ramadã, venerado como sendo a noite em que
o Corão foi revelado ao profeta Maomé.
Quando os religiosos locais ficaram sabendo da mancha no bebê, anunciaram o fato
pelos altofalantes das mesquitas do campo. A família disse que, desde então,
milhares de pessoas já passaram pela casa.