Armadilhas anti-hacker
Um jeito já meio manjado de pegar hackers pouco experientes é o “honeypot”
(pote de mel). Trata-se de um site razoavelmente fácil de ser penetrado,
preparado como armadilha para atrair invasores. Assim que o malfeitor o
penetra, soa um alarme e algumas vezes é possível chegar ao culpado. Num
recente artigo no “New York Times”, Nicholas Thompson nos conta sobre uma
outra armadilha, baseada na mesma idéia dos honeypots. Ela se chama
“honeytoken” (token = ficha, sinal) e já tem algumas implementações em
operação, sendo uma delas desenvolvida por um ex-oficial do exército
americano, Lance Spitzner, de 32 anos, atual funcionário da Sun Microsystems.
Há cerca de quatro anos ele vem tocando o Honeynet Project, uma organização
sem fins lucrativos cujo objetivo é monitorar honeypots espalhados pela
internet, de modo a conhecer as técnicas empregadas pelos hackers na invasão
de sistemas.
A idéia por trás dos honeytokens é simples, mas eficaz. Basta inserir
algumas informações falsas em bancos de dados reais e depois monitorar o
tráfego da rede, identificando estes marcadores e, possivelmente, chegando
até o invasor. Por exemplo, um banco poderia inserir vários números falsos
de cartão de crédito em seu cadastro e depois ativar um programa fuçador
para vigiar qualquer acesso a um desses números.
O termo “honeytoken” foi criado em 21 de fevereiro de 2003 pelo especialista
brasileiro em segurança Augusto Paes de Barros, de 25 anos, funcionário do
BankBoston, em uma de suas mensagens postadas na lista Focus-IDS do
SecurityFocus, que trata de segurança de sistemas e detecção de invasões. A
mensagem era justamente uma resposta a algumas considerações feitas pelo
Lance Spitzner na lista.
A idéia de inserir iscas falsas e monitoráveis no meio de dados reais
remonta aos anos 80, numa bolação de Clifford Stoll, astrofísico e gerente
de sistemas do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, na Califórnia. Numa
interessante caçada ocorrida entre 1986 e 1988, e relatada em seu livro “The
Cuckoo’s Egg”, Clifford enfiou em obscuros diretórios de seu servidor dados
falsos sobre uma suposta organização de defesa estratégica de redes
digitais. Isso atraiu hackers da antiga Alemanha Oriental, que acabaram
presos pelo governo alemão, mas soltos tempos depois.
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A professora Barbara Kaye, da Universidade do Tennessee, em Knoxville,
está conduzindo uma pesquisa online examinando a motivação das pessoas para
acessar weblogs ou, como são mais conhecidos, blogs. O questionário é
dividido em duas partes, a primeira com 21 e a segunda com 12 perguntas, mas
é tudo em inglês. Se tiver dificuldades com o idioma, use o tradutor online
Babelfish, informando o link da pesquisa no campo “Traduza uma página da Web”,
selecionando “Inglês para Português” e clicando em “Traduzir”. A tradução do
Babelfish, como se sabe, é meio capenga, mas é melhor do que nada e dá para
pegar o espírito da coisa. Ao final da pesquisa, Barbara pede seu email,
garantindo que só será usado para fins acadêmicos. Se a leitora não gostar
da idéia de fornecer seu endereço eletrônico verdadeiro, invente um.
Solicita também que indique o questionário para um ou mais conhecidos,
desencadeando um efeito “bola de neve”. E, se você tiver um blog seu, ela
pede que divulgue o link da pesquisa. Além de suas inquestionáveis
credenciais, Barbara evoca o nome de Glenn Reynolds, dono do blog
Instapundit.com e professor de Direito na mesma universidade, como
referência de que a pesquisa é séria. Leva uns 15 minutos para responder a
todas as perguntas, a maioria delas de múltipla escolha.
***
Tem cara de hoax e, se for, então pegou direitinho boa parte da mídia
tecnológica do planeta. Ainda estou meio sem palavras e incrédulo ao relatar
que a MSN inglesa vai lançar em junho próximo, no Festival de Glastonbury de
artes performáticas contemporâneas, uma cabine-sanitário chamada iLoo (do
inglês “Loo”, de “portaloo” = toalete). Em resumo, é um gabinete fechado
contendo um lavatório e uma privada em que o usuário senta e tem à sua
frente um computador para acessar a internet enquanto, bem... você sabe. É
isso mesmo: um mau gosto sem precedentes, mas indubitavelmente uma idéia
assaz inovadora. O iLoo será dotado de conexão banda larga, teclado sem fio,
tela à prova de respingos, microfone embutido e acesso grátis à MSN e a
vários sites parceiros. Será guarnecido (do lado de fora da cabine,
espera-se) por um atento segurança, para evitar roubo de hardware, e por um
dedicado faxineiro, para manter o local imaculadamente asseado, tudo isso
visando a transformar o iLoo em uma das grandes atrações do festival. Coisas
da Microsoft...
***
Fonte : Carlos Alberto Teixeira
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