Coroas distinguem-se pelo visual requintado e motos exuberantes
Na maioria dos casos, são empresários que preferem fazer suas entregas pessoalmente
Um outro grupo de motoboys vem ganhando cada dia mais adeptos. São os motoboys independentes, que preferem fazer suas próprias entregas. Com um visual requintado e motos exuberantes, estilo Harley-Davidson, eles normalmente são empresários, que cruzam a cidade como se estivessem passeando.
São sossegados e quase não usam gírias. Além das motos, os “coroas”, como são chamados pelos motoqueiros mais jovens, diferenciam-se principalmente pelo traje. Embaixo da calça e jaqueta de náilon, usam calças e camisas sociais. Nada de cores berrantes, chamativas. Alguns, não dispensam as gravatas – invariavelmente expostas no momento da entrega do produto.
Nessa horas, eles costumam tirar o macacão de motoboy e dar uma ajeitada rápida nos cabelos e no bigode. O entregador Roberto Carlos Alves Borges, de 41 anos, na verdade, é proprietário de uma joalheria. Por medida de segurança, Borges prefere levar pessoalmente os produtos – avaliados em média em R$ 5 mil – aos clientes. “Não é fácil encontrar alguém de confiança e por isso prefiro fazer o serviço.”
Vestido com uma jaqueta, calça de borracha e capacete, Borges circula pela cidade o dia todo em sua motoneta. “Quem me vê nas ruas não imagina que sou dono de uma joalheria”, diz. “Meus clientes também não me reconheceriam em uma motoneta.”
Para Borges, o trabalho também é uma grande diversão. Ele resssalta que acaba divertindo-se com as barbeiragens dos motoristas e as confusões que os companheiros de trabalho arrumam na rua. “Eles andam a toda velocidade e acabam assustando os motoristas”
Papel – Muito vaidoso, o empresário Ricardo Rodrigues Barbosa, de 42 anos, dono de uma perfumaria, também incorpora um motoboy para entregar suas encomendas. Em sua Shadow, Barbosa acaba misturando-se aos outros motoqueiros na rua.
Andando de uma lado para o outro, o empresário sente-se mais seguro ao fazer o trabalho. “Já tive muitos problemas com o extravio de produtos, até que resolvi assumir o papel.”
Ele reconhece as dificuldades da profissão, mas admite: “Acho que resolvi assumir esse papel para andar livre pelas ruas e sair de vez de trás de um balcão.”
Como ele, o proprietário da Pizzaria Skina, José Manoel Rodrigues, também prefere fazer a entrega dos pedidos. O objetivo, segundo ele, é conhecer o cliente e criar um vínculo de amizade. “Isso faz com que as pessoas sempre peçam minha pizza.”
Alternativa – Nem só os empresários aderem à vida em duas rodas.
Aposentado e vivendo com uma renda de R$ 740,00, o ex-gerente de lojas Jocimar da Silva, de 56 anos, cansou da rotina de economizar em tudo. Com sua velha jaqueta de couro, botinas pretas e capacete com desenhos de dragão e caveira, ele partiu para as ruas.
No começo, as entregas eram feitas em uma moto CG 125. Depois de algum tempo, ele conseguiu comprar um moto, no estilo Harley, de segunda mão.
“Levei um bom tempo para deixa a moto inteira.” Hoje, o veículo é sua relíquia.
Pelas ruas da cidade, ele é chamado de “coroa”, “vovô” , “Papai Noel”, entre outros apelidos. Sem vínculos com empresas, Silva orgulha-se por não ter patrão. “Sou free”, diz o motoboy cinqüentão, abrindo um largo sorriso. Com barba grande e branca e seu óculos redondo, Silva corta a cidade de norte a sul para entregar remédios, malotes de bancos e outros produtos. “A vida de um motoboy é corrida, mas tem vantagens. Não há um cantinho dessa cidade onde eu já não tenha ido nesses últimos dez anos.” (V.R.)
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