Norte-americanos usam site de buscas Google para
"levantar a ficha" de outras pessoas
NOVA YORK -- Os norte-americanos estão usando o site de buscas Google para
obter informações sobre outras pessoas, a ponto de já existir um novo neologismo
em inglês: o verbo "googlar".
Entre as 150 milhões de perguntas que o Google responde diariamente, uma
parcela considerável é de pessoas que pesquisam outras com fins, geralmente,
particulares.
"Quando eu procurava alguém para dividir meu apartamento, "googlei" todos os
candidatos", diz Isabelle, uma jovem jornalista francesa que vive em Manhattan e
pediu para seu sobrenome não ser divulgado.
"A pessoa diz que trabalha na empresa tal e é só você "googlar" para
confirmar se está dizendo a verdade; e, de uma só vez, você pode até verificar
que cargo exatamente ela ocupa".
A Internet já invadiu todos os setores da sociedade norte-americana, a tal
ponto que dados biográficos, trabalhos de pesquisa e artigos oferecem livre
acesso a qualquer um.
"Descobri, por exemplo, que o candidato que escolhi para dividir meu
apartamento tinha sido multado por excesso de velocidade em Connecticut",
comentou Isabelle, sorrindo.
A publicação on-line de documentos por todos os setores da vida social
norte-americana, inclusive pela Justiça, em alguns estados, somada à eficácia do
Google, torna cada vez mais fácil conhecer o currículo, as preferências, as
atividades e as partes obscuras da vida de um desconhecido.
A imprensa norte-americana divulga diariamente histórias de pessoas em busca
de emprego que já perceberam que suas condenações em anos anteriores irão lhes
prejudicar durante muito tempo.
Outros, arrependem-se de ter publicado na Internet, achando que iriam apenas
divertir os amigos, fotos comprometedoras, informações eróticas ou piadas
obscenas.
Sophie, de 32 anos e que também pediu para seu sobrenome não ser divulgado,
disse "googlar" todos os pretendentes que conhece através de um site de
encontros antes de sair com eles.
"Todo mundo faz isso", disse Sophie. "Quando percebo que um cara é atraente,
em vez de enchê-lo de perguntas, vasculho a Internet: se for um fã de beisebol
ou republicano, paro por aí", brincou.