Comprar a casa própria, trocar o carro, fazer uma super viagem ou até mesmo a
festa de casamento da filha. Sonhos como esses geralmente encontram obstáculos
na falta de dinheiro. Com o orçamento apertado o jeito é recorrer a um
empréstimo.
Agências de financeiras espalhadas pelo Brasil, anúncio em rádios, outdoors,
programas de televisão e jornais impressos e até na Internet. Garantia de
dinheiro na hora, sem burocracia. A tentação é enorme...
Quase sempre esse apelo acaba sendo a pior solução e o início de um drama que
não parece ter fim. E a promessa de dinheiro fácil se transforma numa armadilha
de difícil escapatória.
Sonho de consumo
Sonhando em terminar a construção da casa nova, C. L. foi vítima do golpe do
dinheiro fácil. O anúncio estava nos classificados de um jornal de grande
circulação na cidade. A empresa prometia crédito imediato com pagamento
facilitado.
Por telefone, C. L. fez contato com a empresa mineira Assecom que
comercializa consórcios para a Tedesco, de São Paulo. Para ser aprovada
no consórcio, segundo C. L., a Assecom exigia um bem a ser hipotecado no
mesmo valor do empréstimo concedido como garantia da dívida. Satisfeita essa
primeira condição, C. L. teria que comprar um consórcio cujo valor
corresponderia a 5,6% do montante emprestado.
As vantagens oferecidas pela empresa eram enormes. Além de a quantia de
entrada de R$1.400 não ser grande - o valor do empréstimo era de R$ 25
mil -, a liberação do crédito seria instantânea. E o saldo do financiamento
poderia ser efetuado em 11 anos, em 136 parcelas de R$ 254.
Até então as negociações estavam sendo acertadas pelo telefone (31)
3335-6970. Como garantia a Assecom enviava toda documentação por fax
ou pelos Correios.
Para se certificar de que estava fazendo um bom negócio, C. L. procurou junto ao
Procon
de Juiz de Fora indícios de que a Assecom era uma empresa idônea.
Tarde demais
Não tendo encontrado nenhuma reclamação contra a Assecom, C. L. decidiu
participar do consórcio. O depósito de R$1.400 foi feito no mês passado e uma
segunda quantia teria vencimento em dezembro.
Ainda desconfiada, C. L. resolveu investigar mais, até que descobriu que a
Tedesco era a empresa campeã de irregularidades no
Banco Central. Tarde
demais... O pagamento já tinha sido efetuado. E mais: não poderia cancelar sua
participação no consórcio.
"Eu fui até Belo Horizonte e, ao perguntar o porquê de eu não poder mais
desistir, ouvi de um funcionário da Assecom que o meu contrato já tinha
sido aprovado numa assembléia de que eu teria participado. Só que eu sequer fui
convocada para esta reunião. E, quanto ao dinheiro referente à compra do
consórcio, só poderei reavê-lo depois que o grupo no qual estou inserida pagar a
última parcela da dívida financiada, o que eqüivale a daqui a 11 anos."
Prevenir é o melhor remédio
A realização de um sonho de consumo, de acordo com o responsável pelo Setor
Financeiro do Procon, Wesley Barbosa, na maioria das vezes, é o principal motivo
que leva o consumidor a procurar os créditos facilitados.
No caso das financeiras, os juros são altíssimos, mas como elas obedecem a
regras especificadas pelo
Banco Central, dificilmente os órgãos de defesa do consumidor têm como
interferir no acordo feito entre essas empresas e o requisitante do empréstimo,
explica o advogado.
Mas, segundo o Procon, o que tem acontecido com maior freqüência são pessoas físicas
oferecerem o serviço de crédito facilitado através de anúncios. Atraídos pelos
juros baixos e condições melhores de pagamento as pessoas acabam caindo nessa
armadilha.
E, como essas negociações são feitas quase sempre por telefone, fica difícil
investigar ou até mesmo instaurar um inquérito para punir os responsáveis que,
na maioria das vezes, somem sem deixar pistas.
Túnel sem saída
Fica difícil até mesmo para o
Procon
registrar as reclamações contra esses golpes que ocorrem freqüentemente. "Além
disso, muitas pessoas são lesadas e não reclamam", justifica Barbosa.
A divulgação massiva do dinheiro fácil, o quadro geral de dificuldades
econômicas e as vantagens oferecidas nos anúncios parecem não oferecer outra
alternativa.
E essa saída acaba gerando conseqüências terríveis. "O fácil gera um prejuízo
sem proporções". O advogado explica que, em alguns casos, o requisitante do
empréstimo pode até ter bens perdidos em função de uma negociação mal sucedida.
Mesmo com os órgão de defesa do consumidor oferecendo todo amparo para quem
cai nessas armadilhas, o melhor mesmo é evitar os empréstimos e desconfiar de
qualquer promessa muito vantajosa. Mas se eles forem inevitáveis, é recomendável
que algumas dicas do
Procon
sejam seguidas:
FUJA DESSA ARMADILHA
para escapar dos empréstimos, compre realmente o que você precisa
aguarde sempre o melhor momento para fazer um negócio
se o empréstimo for inevitável, analise muito bem o contrato para verificar
se há clásulas abusivas
procure sempre captar recursos com empresas já regulares
Em últimos casos, o melhor é acreditar naquele velho ditado que diz: Quando a esmola é muita, o santo logo desconfia
Se você já se sentiu lezado,e quer
se manifestar envie sua história para :
cialpes@acessa.com.br Fonte: Acessa