Pelo menos uma vez por semana, um banco brasileiro
é utilizado como fachada para o envio de spams que, na maioria das
vezes, visam roubar os dados dos correntistas via web.
Em entrevista ao IDG Now!, Roni Katz, engenheiro de sistemas
da McAfee e membro do AntiVirus Emergency Response Team da Network
Associates, revela como funcionam as pegadinhas virtuais que utilizam
falsos e-mails para ludibriar correntistas e como os internautas devem
evitar estas armadilhas.
IDG Now! – Nos últimos tempos têm crescido o número de clientes de
bancos, vítimas de roubos de dados pessoais. Como ocorre o golpe?
Roni Katz – Primeiro é feita a captura [cópia] do site de um banco, o
que é bastante simples já que o Internet Explorer permite que a página
possa ser salva. Então, o infrator monta um servidor web e, utilizando
uma URL idêntica à do home banking original, coloca o site na rede. O
próximo passo é disparar e-mails com o endereço falso, geralmente
pedindo para o cliente efetuar um recadastramento para poder concorrer a
algum tipo de premiação. O cliente, então, digita o número da conta e a
senha. Ele tenta várias vezes e sempre dá erro. Pronto, o criador do
site falso passa a ter os dados da conta do usuário, podendo sacar o
dinheiro.
IDG Now! – Mas como eles evitam serem pegos pela polícia?
RK – O esquema funciona da seguinte maneira: De posse dos dados da
conta, o falsário vai até a agência bancária. Normalmente bem vestido,
ele aborda um cliente do banco e diz que a mãe está no hospital e que
ele precisa sacar o dinheiro que o tio vai depositar, explicando à
pessoa que não possui conta na agência. Então, o farsante pergunta ao
cliente se ele autoriza efetuar um depósito na sua conta e, após
verificação do saldo, constatando a transferência, ter o dinheiro sacado
da conta e entregue a ele. Imaginando ser um ato de boa fé, já que no
extrato consta um "doc" no valor, o cliente, "laranja" na operação,
acaba entregando o dinheiro ao falsário. O resultado é que a partir
daquele momento o culpado da fraude passa a ser o cliente abordado na
agência bancária, enquanto que a pessoa que começou tudo com o roubo dos
dados da conta bancária, desaparece com o dinheiro.
IDG Now! – Por que os bancos têm sido alvos desses golpes?
RK – Porque envolve dinheiro. Ao invés de assaltar a carteira, o
falsário, utilizando-se de um recurso tecnológico, rouba os números de
uma conta e saca o dinheiro, sem uso de violência.
IDG Now! – A que você atribui o fato de muitas pessoas caírem
nesses golpes?
RK – As pessoas acham que tudo que está na web é verdade e caem nessas
armadilhas. Com o aumento do número de provedores gratuitos, mais
pessoas usam internet hoje em dia, sendo que nem sempre têm nível
cultural e conhecimento tecnológico suficientes. Claro que tem muita
coisa legal na web, mas também têm gente que usa a rede para enganar as
pessoas.
IDG Now! – E quem paga a conta? Os bancos se responsabilizam pelos
prejuízos dos clientes?
RK – Não. Na minha opinião o banco não pode ser responsabilizado por que
alguém capturou o site dele e usou para ludibriar o cliente. O máximo
que ele pode fazer, mas também não é obrigatório, é colocar um banner no
site, alertando que o usuário tome cuidado ao acessar o home banking.
Além disso, nenhum banco usa o e-mail como canal de comunicação para
pedir ao cliente para fazer recadastramento ou para divulgar algum tipo
de promoção. Normalmente, eles enviam cartas ou disparam essas ações
dentro do site, por meio de pop-ups, e nunca fora.
IDG Now! – Como o cliente de banco pode evitar cair nessas
armadilhas?
RK – Bom senso é a dica. Não confie em tudo que está na internet. É
importante prestar atenção na digitação do endereço correto do site. Uma
"letrinha" a mais pode fazer muita diferença. Além disso, os
correntistas devem evitar acessar sites de home banking em cibercafés e
aeroportos, já que pode haver um programa instalado para capturar
senhas.
IDG Now! – Há notícia de prisões desses fraudadores?
RK – A polícia federal tem prendido algumas pessoas, mas não posso
revelar suas identidades.
Spam oferece
seguros do banco Itaú
IDG
Now!
Daniela Braun
Com o título “Itaú Promoções”, mais um e-mail falso
circula nas caixas de entrada dos brasileiros tentando pegar os
internautas mais desatentos.
Seguindo o padrão dos spams que usam instituições financeiras como
alvo, a mensagem falsa oferece seguro de vida grátis para o cliente.
“Para isso, basta clicar aqui, e entrar com os dados de sua conta Itaú e
confirmar o seguro para você e toda sua família”, informa o e-mail.
No momento, o link www.iitau.com.br presente no e-mail falso apenas
direciona o internauta ao site de uma empresa chilena, chamada Pfenniger
S/A.
Por meio de um comunicado, o Banco Itaú informa que nunca envia esse
tipo de mensagem para clientes. “Quando o Banco envia link por e-mail,
nunca solicita, de uma só vez, o conjunto agência/conta e senha
eletrônica. Na página inicial do Itaú nunca são solicitados outros dados
além da agência e conta, sendo que a senha eletrônica deve ser inserida
sempre através do teclado virtual”, alerta.
O Itaú aconselha que, caso o cliente tenha acionado o link e acessado
uma página semelhante à do Banco Itaú, digitando os dados pedidos, deve
trocar todas as senhas imediatamente.