Pesquisa apura infidelidade na Internet
Trabalho de psicóloga de Campinas com mulheres norte-americanas revela que
maioria vê traição no sexo virtual.
Renata Freitas, do Correio Popular
Na
sua opinião, sexo virtual é traição? Você já parou para pensar sobre esta
pergunta? Pois a psicóloga campineira Cristina Martins não só questionou, como
desenvolveu uma pesquisa sobre o assunto.
Seu trabalho "Mulheres Americanas e Infidelidade na Internet", elaborado ao
final do curso de especialização em Sexualidade Humana da Pontifícia
Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro, será apresentado no XV Congresso
Mundial de Sexologia, em Paris, de acontece de sábado (23/06) a quinta-feira
(28/06).
A pesquisa envolveu a realização de 200 entrevistas com mulheres
norte-americanas acima de 21 anos, todas feitas pela Internet, através do
programa ICQ (I Seek You que, em português, significa 'eu procuro você'). Deste
universo, 58% consideraram que a prática do sexo pela Internet se configura em
traição. Outras 21% tiveram opinião diferente e disseram que não é traição. As
21% restantes não se posicionaram contra nem a favor.
"As mulheres que não consideraram o sexo virtual uma traição afirmaram que esta
prática é benéfica para os relacionamentos reais", contou Cristina. De acordo
com ela, muitas delas fazem sexo virtual na presença dos parceiros, alegando que
dessa forma os dois aprendem mais sobre as fantasias um do outro.
Na avaliação da psicóloga, isso é um sinal de que existe falta de comunicação
entre os parceiros. "Eles precisam utilizar a Internet para se conhecer melhor",
explicou. Segundo Cristina, houve casos de mulheres que afirmaram procurar pela
Internet, junto com seus parceiros, pessoas para fazer troca de casais.
Por outro lado, uma rígida formação religiosa e fortes conceitos de monogamia
foram constatados entre as mulheres que avaliaram o sexo virtual como traição.
"A sociedade americana é muito conservadora e as mulheres, reprimidas
sexualmente", ressaltou a pesquisadora.
Além de verificar que a prática do sexo virtual já atinge uma boa parcela das
mulheres americanas, a psicóloga percebeu que o número de divórcios ocasionados
pela prática do sexo virtual também tem aumentado. "A própria Internet tem sites
que mostram isso. Cheguei a visitar o de um advogado especializado neste tipo de
caso, que afirmava que o índice de divórcio desencadeado pela prática do sexo
virtual tem crescido entre 10% e 40% a cada ano", informou.
Uma das conclusões a que chegou aponta que o progresso tecnológico pode levar a
um individualismo cada vez mais exacerbado, já que as relações pelo computador
não têm implicações com a vida real. "Neste tipo de relação, a tela e o teclado
são o corpo do parceiro", comparou.
Quem é contra este tipo de comportamento, já conta com aliados. A pesquisadora
comentou que a própria indústria tecnológica começa a produzir formas de
vigilância para auxiliar aqueles que desconfiam estar sendo 'virtualmente
traídos'. "São mecanismos que controlam o tipo de site visitado e podem até
gravar conversas".
A opção por entrevistar as mulheres americanas ocorreu porque, no Brasil, no
período em que a pesquisadora disponibilizou a pergunta sobre o assunto e o
objetivo do trabalho em seu ICQ, as internautas não levaram a sério, segundo
ela.