A política de privacidade do Windows Update costumava se resumir a um grande
banner informando que as atualizações de software eram feitas "sem o envio de
informações à Microsoft", assegurando a privacidade do usuário, em caso de
atividades suspeitas na rede. No entanto, os tempos são outros.
Novas versões do Windows Update enviam um significativo montante de dados
para o servidor de atualizações da Microsoft. Infelizmente, o conteúdo exato
transmitido — por meio de uma conexão encriptada em SSL (Secure Sockets Layer)
— e sua relevância para a privacidade do usuário não foram revelados, até o
momento.
O Windows Update consiste em algumas páginas HTML com uma grande quantidade
de códigos embutidos em Java Script e um componente chamado COM. Estes
"blocos"são baixados quando o usuário abre a página do Windows Update (http://v4.windowsupdate.microsoft.com/default.asp)
no Internet Explorer.
A principal tarefa do código em Java Script — que é fácil de analisar já
que o código-fonte do Java pode ser examinado — é interagir com o usuário. A
funcionalidade mais interessante, no entanto, esconde-se no componente COM.
Utilizando uma ferramenta chamada tecDump é possível saber que o Windows
Update usa solicitações POST para transmitir mensagens em SOAP (Simple Object
Access Protocol) para o servidor da Microsoft. O SOAP é o protocolo-padrão no
qual se baseia a linguagem XML (eXtesible Markup Language) para comunicações
em serviços Web — bloco elementar de desenvolvimento da plataforma .Net, da
Microsoft.
O fator mais preocupante em relação à privacidade envolve a capacidade de
listagem de componentes da máquina do usuário pelo Windows Uptade. Esta lista
transferida ao servidor da Microsoft pode revelar o fabricante e o modelo de
todos os cartões PCI instalados no computador, bem como de dispositivos de
armazenamento e componentes de hardware.
A abordagem de versões mais antigas do Windows Update era fazer o download
de uma lista completa de atualizações e então filtrar os dados relevantes no
computador do usuário — isso sem transferir qualquer informação significativa
à Microsoft.
O problema não se aplica apenas às atualizações de drivers. O sistema de
filtragem de servidores também poderia determinar quais softwares estão
instalados na máquina do usuário.
Imagine que a Microsoft pode saber se você usa um browser Mozilla 1.0,
criar uma categoria de produto chamada mo10, adicionar uma regra para
determinar se o Mozilla 1.0 está instalado e depois retornar esta categoria de
produto quando o Windows Uptade enviar uma solicitação ao servidor da
Microsoft.
Categorias de produtos mais recentes também poderiam ser utilizadas para
motivos mais nobres, tornando tecnicamente simples a abertura do Windows
Update para outros fornecedores de software, contando com a habilidade do
componente COM para listar os fornecedores de todos os pacotes de software
instalados nas máquinas dos usuários. A prática não é utilizada, atualmente,
mas pode tornar-se um grande problema de privacidade no futuro.
[Mike Hartmann - tecChannel, Alemanha]