Pedro Bial na Revista Trip
Lá vem o Big Brother Brasil descendo a ladeira. Pedro
Bial caminha para o boteco no quarteirão de sua casa no bairro do Horto
Florestal, Rio de Janeiro. De camisa florida, bermuda branca e sandálias
havaianas, vem comprar duas águas-de-coco para refrescar o bate-papo com a
reportagem da TRIP. Alemãozão de 1,92 metro, caminha com aquela
inequívoca ginga carioca. Ginga de malandro, que quebra o pescoço à passagem da
mulher bonita.
Pedro
Bial é bem brasileiro, a despeito de seus olhos azuis. Cordial no trato e franco
na conversa, consegue ser simpático mesmo quando expõe pontos de vista opostos
ao do interlocutor. Antes do gravador começar a rodar, fez questão de mostrar o
depoimento do escritor britânico de origem indiana Rudyard Kipling: “Por que me
recuso a dar entrevistas? Porque é imoral! É tão criminoso quanto uma ofensa
contra minha pessoa. Um assalto que merece punição”. Mas Bial não está querendo
intimidar. Ao contrário, parece demonstrar o quanto duvida de sua profissão de
origem, o jornalismo. Ou ele já não seria mais repórter, deglutido e transmutado
em apresentador de TV?
Pedro Bial já escreveu livro de reportagem, dirigiu documentário sobre Guimarães
Rosa (Os Nomes do Rosa) e filme de ficção sobre o mesmo (Outras
Histórias) e apresenta um programa de literatura na Globo News.
Ao contrário de muita gente em sua posição, esse ipanemense que morou oito anos
em Londres como correspondente da Globo tem coragem para expressar livremente
suas opiniões. “Não tiro o meu da reta”, diz, questionado sobre o apelo
popularesco do BBB. “Faço parte do show. Podem rir, fazer piada de mim.”
Aos 44 anos, três casamentos desfeitos e quatro coberturas de guerra depois
(Angola, Sarajevo, Romênia e Golfo), Bial quer paz. Admite que viveu um período
de excessos que culminou na briga pública com a ex Giulia Gam e tenta se
acostumar com a vida de famoso. Sua companheira de viagem é a produtora Isabel
Diegues, 31, filha do diretor Cacá (de Deus é Brasileiro), com quem teve
um filho em maio do ano passado, José Pedro.
Pedro Bial falou com a TRIP, fumou seus quarenta cigarros habituais,
mostrou os corredores iluminados por luz negra que cercam a casa do BBB e
ainda encontrou tempo para comprar presente de aniversário para o filho Theo. É
com essa energia que, além do BBB e do Fantástico, ainda planeja
dirigir um filme sobre Cássia Eller e uma série de TV sobre os escritores
brasileiros. Demorou. Quem não se comunica se trumbica.
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