Justiça bloqueia bens da Igreja
Renascer
O
processo já tem nove volumes. O juiz-titular da 1ª Vara, Antônio
Rossi, acolheu a denúncia feita pelo promotor Marcelo Mendroni.
A informação é do Jornal da Tarde, repórteres Angélica Santa
Cruz e Eduardo Barella.
Além de pedir o bloqueio dos bens, o Ministério Público
caracterizou a segunda maior comunidade neopentecostal do país
como organização criminosa montada para lavar dinheiro
proveniente de estelionato. O Ministério Público pediu também a
prisão preventiva dos investigados, sob acusação de estelionato,
falsidade ideológica e lavagem de dinheiro, mas o pedido não foi
aceito.
A primeira audiência está marcada para o dia 15 de setembro. A
decisão proíbe a movimentação de oito contas bancárias das
empresas Colégio Gamaliel e Publicações Gamaliel — abertas em
nome do casal Hernandes e cuja movimentação registrada entre
2000 e 2003 acusou um montante de R$ 46,4 milhões.
Também bloqueia a mansão de Estevam Hernandes em Boca Raton, no
litoral da Flórida 0151 avaliada em U$ 465 mil, e uma fazenda de
45 hectares em Mairinque, a 70 km de São Paulo, comprada pela
igreja em 2001 por R$ 1,8 milhão.
Investigação
O bloqueio dos bens do casal Hernandes foi precedido de uma
investigação que se baseou na série de reportagens da Revista
Época em 2002. A reportagem passou um pente-fino em declarações
de Imposto de Renda de 10 empresas ligadas à Renascer e levantou
cerca de 100 ações civis por cobrança de dívidas contra
integrantes da igreja.
Ao final, o Ministério Público concluiu que a Fundação Renascer
age como organização criminosa, ao formar uma rede de empresas
que se dedicam a movimentar o dinheiro angariado por meio de
estelionato, ou doações de fiéis feitas diante de todo tipo de
promessa.
A Igreja Apostólica Renascer em Cristo tem 1,5 mil templos no
Brasil. Fundada em 1986, ela é isenta de pagar Imposto de Renda
por ser entidade filantrópica e sem fins lucrativos.
O indiciamento dos acusados foi pedido pelo Ministério Público
com base no artigo 1º, inciso VII da lei 9.613/98 (lavagem e
dinheiro). Há duas semanas, a defesa dos donos da Renascer
entrou no Tribunal de Justiça com um pedido de Habeas Corpus,
alegando que eles sofriam "constrangimento moral". O
desembargador Ubiratan de Arruda, da 9ª Câmara, negou a ordem.
"A Justiça
tarda mais não falha"Fonte
Polícia prende casal de pastores
acusados de pedofilia
CÍNTIA ACAYABA da Agência Folha
A
Polícia Federal prendeu nesta segunda-feira, em Paranaguá (98 km
de Curitiba), um casal de pastores evangélicos acusado de
pedofilia.
O pastor Francisco Vicente Corrêa Filho, 57, é acusado de
estuprar pelo menos dez meninas, com idades entre 10 anos e 13
anos. A mulher dele, Elizabeth Graff, 41, é apontada pela PF
como colaboradora dos crimes e aliciadora das meninas.
Eles foram presos às 9h em casa, no bairro Ilha dos Valadares.
No local, a PF encontrou revistas pornográficas e fotos de sexo
explícito.
A investigação começou há seis meses a partir de denúncias
anônimas feitas à PF. As vítimas foram ouvidas pela primeira vez
hoje pelo delegado João Augusto Carvalhal Santos e confirmaram
que o pastor as forçava a praticar sexo.
"Cumprimos mandado de prisão preventiva dos dois para eles não
influenciarem nos depoimentos das vítimas. No início, elas
negaram, porque os pastores eram respeitados pela comunidade,
mas depois confessaram que praticaram sexo com o pastor", disse
o delegado.
No depoimento, de acordo com o delegado, as vítimas relataram
que Corrêa incorporava um anjo chamado de "executor" que o
enfraquecia. Para recuperar a força, as meninas deveriam fazer
sexo com ele, se elas recusassem ou contassem a alguém o que
ocorria, o pastor as ameaçava e dizia que o anjo traria doenças
e outras mazelas para as famílias.
"As práticas sexuais ocorriam com certa freqüência,
principalmente quando havia o estudo da Bíblia. Além de fazer
sexo com o pastor, elas eram obrigadas a se relacionar com quem
ele indicasse e ainda a assistir às cenas", disse Santos.
As práticas sexuais ocorriam no terreno da igreja. "Eles devem
responder por crimes previstos no Estatuto da Criança e do
Adolescente, como estupro presumido e cooptação de menores. Eles
podem pegar mais de 30 anos [pena máxima]", disse Santos.
Para o advogado do casal, Werner Kovaltchuk, trata-se de uma
"divergência interna na igreja". "Não há elementos concretos,
apenas depoimentos. Quando tomar conhecimento real da situação,
pedirei a revogação da prisão preventiva", disse Kovaltchuk.
O casal será encaminhado para a Cadeia Pública de Paranaguá.
Igreja
Há cinco anos, o casal fundou a Igreja do Supremo Amor de
Cristo. Côrrea é aposentado do Corpo de Bombeiros e recebe
pensão por invalidez, e Graff estudou enfermagem.
A igreja tem CNPJ, mas segundo a PF não era vinculada a nenhuma
ordem religiosa.
O templo tem cerca de 50 fiéis e funciona no terreno da casa dos
pastores. "Eles tinham forte influência sobre a comunidade.
Devem ter feito lavagem cerebral nas pessoas", disse o delegado
Santos.Fonte