SEXO CHIQUE -
Como evitar gafes na cama

Por Wilson F. de Weigl
O sexo pode ser selvagem, mas os amantes têm de ser civilizados. Uma
palavra ou uma calcinha errada podem pôr tudo a perder. A falta de camisinha ou
de consideração também. Veja aqui algumas situações constrangedoras e como
evitá-las, contorná-las ou, em último caso, rir delas.
Todo mundo já deu uma gafe. Mas talvez não exista pior lugar para cometê-las
do que na cama – onde todos se sentem expostos e perseguem a performance
perfeita. Se o desodorante venceu, o celular tocou quando não devia, ou a mulher
não se conteve e exclamou "que bonitinho", quando ele tirou a cueca, o melhor é
não estressar. Acontece na vida de qualquer um e sempre quando ninguém estava
esperando. A gafe é, por natureza, acidental e desastrada, mas não deve virar
drama. "As mancadas devem ser encaradas como parte do jogo amoroso", afirma
Jairo Bouer, psiquiatra e apresentador da MTV.
Quase sempre o estrago pode ser consertado e o saldo negativo se restringe a
uns poucos arranhões na imagem. Claro que certas gafes desafiam qualquer tesão.
Há situações em que só o jogo de cintura e o senso de humor podem salvar o caso.
Rir tem o poder mágico de transformar drama em comédia, aliviar a tensão e
deixar o parceiro menos sem graça. "Mas não convém exagerar e ter um ataque de
riso", avisa Jô Hallack, co-autora do livro "02 Neurônio – Guia da Mulher
Superior" (Ed. Record). Tanta alegria pode acabar atrapalhando o clima ou a
concentração do pretendente.
A calcinha e a depilação
Tem mancada que nem é grave, só encabula. "Uma situação típica é você ficar
com alguém justamente no dia em que está com sua pior calcinha, de algodão, meio
rasgadinha, diz Jô Hallack. "A solução é apelar para luz indireta, velas,
abajur. A iluminação indireta favorece muito o relacionamento..."
É ótimo saber que o sexo pode acontecer quando menos se espera. Mas tanta
surpresa pode deixar as mulheres atrapalhadas. "É sempre aquela Lei de Murphy:
quando você atrasa a depilação de virilha, arranja alguém. É tiro e queda.
Aliás, mulheres que querem sexo ocasional devem deixar a depilação atrasar",
aconselha Raq Affonso, também co-autora do "02 Neurônio". Mas ninguém deve
desperdiçar uma chance de ouro, até mesmo nos dias em que se está absolutamente
largada. "Não é o caso de se exceder na preocupação com a auto-imagem, em fazer
bonito. Todo mundo tem defeitos", lembra o psiquiatra Jairo Bouer.
No sexo casual, as gafes assumem maiores proporções, pois não se sabe como
vão repercutir no parceiro. "Quando já existe intimidade, é mais fácil levar com
leveza", continua Bouer. Foi a cumplicidade que absolveu a advogada Juliana de
Oliveira Diniz, de 26 anos, do "delito" de pegar no sono na hora H. "Eu saía com
um rapaz há uns três meses e, uma vez, depois de uma festa, fomos para a casa
dele, quando a família não estava", conta. A casa era bonita e a cama tinha
vista para um jardim com um espelho d'água. "Eu tinha bebido e estava cansada,
com sono. Enquanto começávamos a esquentar, fiquei admirando aquele cenário tão
tranqüilo. E ele me acariciando, me beijando o pescoço... Comecei a relaxar, a
sentir um pouco de sonolência... Apaguei. Durou um segundo, mas acordei com ele
me cutucando e percebi que tinha dormido de boca aberta. Foi uma gargalhada só."
Se o relacionamento for recente, um deslize pode azedar a noite e comprometer
o futuro definitivamente. Foi o que aconteceu com o empresário José Carlos
Monteiro, de 44 anos, logo no primeiro encontro. "Fui à casa dela e, quando a
coisa estava começando a pegar fogo, parei para olhar as horas no meu relógio de
pulso, que estava na cabeceira da cama", lembra José Carlos. "Nem sei por que
fiz isso, foi mera curiosidade." Mas sua parceira não levou na esportiva. "Ela
quis parar imediatamente, dizendo que aquilo tinha cortado o barato, que parecia
que eu estava cronometrando", diz. "Me senti muito envergonhado, mas achei a
reação dela exagerada." A possibilidade de uma relação acabou ali, segundo o
empresário. "Chegamos a nos encontrar casualmente outras vezes, mas nem nos
cumprimentamos."
| AMANTES BEM-EDUCADOS
A jornalista e escritora Claudia Matarazzo, autora de seis
livros de boas maneiras e do recém-lançado "Amante Elegante – Um Guia de
Etiqueta a Dois" (Editora Melhoramentos), analisa as mancadas sexuais e
ensina como manter a elegância antes, durante e depois do sexo.
A cama é um lugar privilegiado para gafes?
Não, mas como em geral estamos na cama em uma situação de envolvimento, ali
elas assumem proporções maiores ou tornam as pessoas mais vulneráveis.
Como manter a pose quando se está cheio de desejo?
Não é preciso. Quem é elegante, é o tempo todo, independente da
circunstância. Não dá para se preocupar em parecer elegante quando se está
rolando no carpete.
Como manter a elegância quando o tesão acaba de
repente?
O melhor é evitar dar bandeira e fazer uma retirada gradativa de campo.
O que é proibido fazer?
A rigor nada é proibido, desde que exista cumplicidade. Mas assumir uma
atitude autoritária é horrível em qualquer situação. Na intimidade, é
inadmissível. Gracinhas demais na cama também podem ser perigosas, pois o
senso de humor pode não bater em um momento de sensações à flor da pele.
Como salvar a situação quando a besteira já está feita?
É bom ter jogo de cintura, saber rir de si mesmo, ou simplesmente pedir
desculpas sem fazer drama.
Quem "erra" mais na cama: homem, mulher ou gay?
Não é uma questão de gênero, mas de personalidade. Erra mais quem é egoísta,
o arrogante que acha que sabe tudo e não consegue olhar além do próprio
umbigo. Esse tipo é insuportável, ainda mais em uma situação em que é
importante dar e receber, usar a sensibilidade mais do que a técnica.
Os atos involuntários do corpo – a barriga que ronca ou
a baba na fronha – são considerados falta de educação?
Como não dá para evitar atos involuntários, então é melhor disfarçar –
tratar de virar o lado do travesseiro. É interessante pelo menos tentar
contornar.
Sexo selvagem e boa educação combinam?
Combinam. Desde que depois do sexo selvagem as pessoas voltem para o salto
lindas e loiras – por que não? Pode ser até um contraste estimulante.
Como ajudar o parceiro que cometeu a gafe: você finge
que não percebeu? Comenta com bom humor? Faz uma pequena bobagem, para ser
solidária?
Depende da gafe. Algumas dá para rir, outras é melhor deixar para lá.
Comentar, de jeito nenhum, e eternizar é pior. Melhor passar batido.
Um parceiro meio desastrado pode revelar-se um ótimo
amante?
Claro, a química e a reação das pessoas na cama são absolutamente
imprevisíveis. Quem é péssimo com alguém pode ser ótimo com outro. De
repente, o grande tímido atrapalhado pode se revelar um furacão na cama, ou
a gostosa do pedaço pode ser travada na hora H.
Camisinha é sinônimo de elegância?
Sim, usá-la mostra que você é bem informado, preocupado com o outro e
consigo mesmo. E que também não é um louco que dá pouco valor à vida.
O que fazer quando o homem falha?
Não supervalorizar o fato. O homem pode dar um tempo. Ele não precisa tentar
explicar e ela não tem que virar analista de uma hora para outra. Delicadeza
e discrição ajudam muito.
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Barulhos estranhos
Nem a liberação sexual nem a revolução dos costumes conseguiu resolver todas
as minúcias do encontro amoroso. Um prosaico "pum" continua sendo um teste de
resistência para os relacionamentos. Só o entendimento mútuo e o bom humor podem
abafar algo que nem o rangido da cama ou a música de fundo são capazes. O
administrador de empresas F.* , de 23 anos, viveu essa situação com a namorada.
"No meio da transa, ela soltou um 'pum' muito alto, um estrondo. Não consegui
fingir que não ouvi. Ela tentou disfarçar, deu umas tossidas, mas foi
impossível. Comecei a rir, disse para ela relaxar. Mas quebrou o clima.
Continuamos um pouco mais, para dar uma disfarçada, mas o tesão foi embora."
Se um "pum" ocasional pode constranger, pior quando vira problema crônico.
H.*, gerente de marketing, 40 anos, que o diga. Ele sofre de um mal-estar
gástrico que provoca excesso de gases e se manifesta quando ele está tenso. "Nos
dias de crise, é incontrolável", conta. Daí, subir escadas ou fazer sexo são
situações que induzem à expulsão dos gases. "Quando mudo de posição, escapa. Já
aconteceu várias vezes e é terrivelmente chato", diz.
Nesses momentos, H. vai para a cama consciente do risco, o que já é um fator
de preocupação. "Às vezes a parceira não percebe ou, por educação, finge que não
percebeu", salienta. Se a mulher se dá conta, ele pede desculpas e, dependendo
do envolvimento, tenta explicar. "Minha companheira atual foi supercompreensiva
da primeira vez. Quando nosso relacionamento se estreitou, expus a ela toda a
situação." Mas H. admite que, se for possível, antes tenta disfarçar fazendo
barulho com o colchão, por exemplo. De qualquer forma, o psiquiatra Jairo Bouer
absolve o "pum" ocasional: "Todo mundo solta um de vez em quando", diz.
Continua
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